"Mediação é um ato de interação entre um mediador e um mediado". Feuerstein
Feuerstein nasceu em Botosan, na Romênia, em 1921. Em 1938, quando o movimento nazista começou a se fortalecer na Romênia, então com 17 anos, partiu para Bucarest, para estudar psicologia e preparar-se para a vida num Kibutz, em Israel, onde chegaria em abril de 1944. Antes, passara um ano num campo de trabalho na Transilvânia, com a missão de preparar a fuga dos judeus da Hungria para a Romênia.
Em 1944, já instalado em Israel, teve seus primeiros contatos com as crianças salvas do holocausto. Apesar de terem aprendido a sobreviver, essas crianças não tiveram suas capacidades cognitivas desenvolvidas. Nesse período, Feuerstein trabalhava na organização israelita Youth Aliya Child, que conseguiu repatriar para Israel cerca de 300 mil crianças de vários países (Marrocos, Tunísia, Argélia, Egito e alguns países da Europa). Essa organização tinha por objetivo resgatar física, moral e educacionalmente crianças e jovens sobreviventes do holocausto e de outras condições difíceis em seus países. Lidar com crianças que viviam situações terríveis levou Feuerstein a crer na modificabilidade das pessoas...
Poderiam elas se modificar, imprimindo um novo significado ao seu viver, mesmo vivendo numa situação de horror?
Nasceu, então, o termo Experiência de Aprendizagem Mediada (EAM) é a parte de um referencial teórico mais amplo, a teoria da Modificabilidade Cognitiva Estrutural (MCE). Para Feuerstein, a modificabilidade está diretamente relacionada com a qualidade de mediação e com os processos cognitivos e afetivos de uma pessoa. Para explicar a modificabilidade, Feuerstein recorre a um importante conceito: autoplasticidade.
Autoplasticidade: é um mecanismo de defesa definido como a propensão do organismo para modificar-se e sobreviver às pressões internas e externas. As pessoas também usam mecanismos de adaptação mais criativa e produtiva. Consiste no enriquecimento do repertório de comportamentos e técnicas utilizado para neutralizar as fontes de perigo pela mudança do ambiente e na flexibilidade para usar a experiência passada para antecipar, facilitar e projetar eventos futuros.
Transformação: Ocorre na pessoa através da qualidade de aproximação da realidade... A modificabilidade cognitiva só pode ser considerada estrutural, se reunir algumas condições: relação estreita entre o todo e as partes, tendência a constituir-se num processo de mudança (transformação), autoperpetuação e natureza auto-reguladora do processo de mudança.
Pesquisa:Martins de Souza, A.M.,Depresbiteris, L. & Machado, O.T.M. A Mediação Como Princípio Educacional: Bases Teóricas das Abordagens de Reuven Feuerstein. São paulo, Ed. Senac, 2004.
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